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Asteroide acusado de extinguir os dinossauros é inocentado

Data: 04/03/2010 09:30:53 Fonte: Folha Online
hr

O principal suspeito de ter sido o asteroide que levou os dinossauros à extinção acaba de ser inocentado do crime. A defesa foi apresentada por uma dupla de astrônomos do Rio.

O principal suspeito de ter sido o asteroide que levou os dinossauros à extinção acaba de ser inocentado do crime. A defesa foi apresentada por uma dupla de astrônomos do Rio de Janeiro.O trabalho que eles contestam ganhou projeção em 2007. Na época, um trio internacional propunha um culpado pelo extinção dos dinos, há 65 milhões de anos. Relacionaram o episódio com outro muito anterior, de 160 milhões de anos, quando um asteroide gigante se chocou com outro entre as órbitas de Marte e Júpiter.

A trombada resultou em várias lascas voando para todos os lados -a família Baptistina de asteroides. Uma delas teria vagado por 95 milhões de anos pelo Sistema Solar antes de se chocar com a Terra.

"Sem chance"

Mas o novo estudo mostra que "não tem nenhuma chance de ter sido ele", segundo Jorge Carvano, astrônomo do ON (Observatório Nacional).

Ele observou, com Daniela Lazzaro, também do ON, o 298 Baptistina, que é o "asteroide pai", do qual as lascas foram arrancadas. Medindo quanta luz ele reflete (o albedo), souberam mais sobre as suas características e compararam-nas com as do objeto que atingiu a Terra, levantou uma nuvem de poeira que causou as extinções e deixou como vestígio a cratera de Chicxulub (México).

Os dados não batiam. "Existem materiais que refletem menos luz, como carvão, e menos, como gelo. O albedo não permite que se diga exatamente qual a composição do asteroide, mas dá para afirmar que ela não bate com a do objeto que se chocou com a Terra", afirma Carvano.

O asteroide que caiu no México refletia pouca luz (albedo baixo). O 298 Baptistina, muita (albedo alto). Os resultados serão publicados na revista científica "Monthly Notices of the Royal Astronomical Society".

"O grupo do estudo de 2007 não faz observação. É um grupo que faz pesquisa teórica [ou seja, modelos matemáticos], eles levantaram hipóteses bastante forçadas", diz Carvano.

Além disso, em uma escala de milhões de anos, o albedo influencia o movimento do objetivo, por causa das forças que são criadas pela interação com a luz do sol. "[O grupo de 2007] não sabia qual era o albedo e assumiu um valor errado." Ou seja, a lasca apontada como culpada deve ter feito um caminho bem diferente do imaginado.

A origem do objeto que acertou a Terra volta, então, a ser uma dúvida. "Pode até ter sido um cometa", diz Carvano.

hr

Leia na íntegra em
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u702113.shtml
 
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