www.astronomiaamadora.net
Home | História | O Sistema Solar | O Universo | Astronáutica | Biografias | Download | Telescópio Hubble
  Ofertas Shopping UOL Binóculo no Shopping UOL Oculares no Shopping UOL Lunetas no Shopping UOL Telescópios no Shopping UOL  
 

top left top right
 

HISTÓRIA

Origem socioeconÔmica das festas sazonais

Stonehenge durante o solstício de verão

Todas as festas - manifestações e regozijo do povo para comemorar um evento de origem histórica e/ou mística -, além de estarem associadas a uma origem religiosa, exprimem, também, o ritmo das estações, sob a conotação da morte e ressurreição de um deus - a Natureza. Com efeito, todas as festas profanas (para as religiões que surgiram mais tarde), que seriam posteriormente adotadas pelo cristianismo, associaram os dias melancólicos e tristes do outono - das folhas caídas - ao culto dos mortos - no início de novembro e, no momento em que a natureza desperta da primavera, depois de um longo dormitar invernal, ao culto da ressurreição.

Estas festas, muito importantes para as sociedades agrícolas primitivas, tinham como finalidade, em todos os tempos e em todas as tribos, reunir as populações do campo e, mais tarde, das cidades, com o objetivo de obter uma unidade dos camponeses e dos habitantes dos núcleos civilizatórios. Assim, rompia-se a monotonia dos trabalhos, às vezes escravos, e conseguia-se estabelecer intervalos de descanso, de alegria e até mesmo de orgia, como ocorre até hoje durante o Carnaval. Um momento de desligamento da dura realidade de um mundo em que tudo dependia do esforço muscular do homem, pois a ciência e a tecnologia ainda não haviam criado as condições da vida moderna, quando a máquina facilita as tarefas e aumenta os momentos de lazer que cada vez mais absorvem a atenção do indivíduo.

Esta ruptura com o cotidiano, além de provocar uma inversão dos hábitos diários, conduzia com freqüência a uma ultrapassagem das normas da vida; em conseqüência, surgiam excessos e mesmo ocasiões de orgia. Para isto contribuíam as bebidas fermentadas - conhecidas desde as épocas mais remotas pelos povos que se libertavam dos condicionamentos sociais. Durante estas festas, a refeição farta, as trocas de presentes, os cortejos, os desfiles, as músicas, as danças e as máscaras davam maior solidez aos diferentes grupos sociais que interagiam e se integravam a esse regozijo mútuo.

Ao lado desse substrato exclusivamente social, existia um fundamento astronômico: em todos os grupos tribais e em todas as religiões, as festas, fossem elas solsticiais ou equinociais, tinham como meta sacramentar o tempo e delimitar o calendário civil e religioso desses povos.

CarnavalAssim, a mais profana das festas - o Carnaval (do latim carnevale), que significa adeus à carne -, é de origem profundamente religiosa. No passado, o Carnaval constituía uma preparação quase indispensável à longa penitência da Quaresma. Para afastar os fiéis das festas pagãs que ocorriam nos solstícios* e nos equinócios*, a Igreja cristianizou-as, transportando-as para a Páscoa, São João (24 de julho), São Miguel (29 de setembro) e São Nicolau (25 de dezembro).

Esse foi o motivo pelo qual o nascimento de Cristo foi fixado em 25 de dezembro, no século IV, com o objetivo de redirecionar os fiéis das festas pagãs que se comemoravam durante o solstício do inverno. Esta festa, anterior ao aparecimento do cristianismo, era celebrada em homenagem a Mitra, que contava com um grande número de devotos, no Império Romano, em especial depois de Constantino. De fato, Mitra, divindade persa, primitivamente um dos gêmeos do masdeísmo, religião iraniana organizada por Zoroastro, estava associado ao Sol. Mais tarde, se tornaria o Sol invictus, ou seja, o Sol invencível.

Aliás, o Natal, fixado em 25 de dezembro, nada mais é do que a comemoração da Natalis Invicti (Nascimento do Sol Invencível), celebrada pelos adeptos da deusa Mitra, comemorada em Roma durante as saturnais que duravam de 21 a 31 de dezembro.

A evidência destas datas relacionadas aos fenômenos sazonais do equinócio* e solstício* está registrada nos ditos populares para o Hemisfério Norte, como:


"São Luís (21 de junho) é o mais longo dia do ano;
Em São Tomás (21 de dezembro), os dias são mais curtos;
Em São Matias (21 de setembro), os dias e as noites são iguais em seu curso".

Estes ditos populares são, sem dúvida, posteriores a 1582, quando a reforma gregoriana corrigiu o calendário juliano em onze dias.

Por Ronaldo Rogério de Freitas Mourão - Todos os direitos reservados
 
bottom left bottom right

Ir para:

Bookmark and Share
2009 - Ano Internacional da Astronomia
 

Principal

Outros conteúdos

Sobre nós...

Assine nosso Feed RSS
© 2017 Astronomia Amadora.net - Todos os direitos reservados