www.astronomiaamadora.net
Home | História | O Sistema Solar | O Universo | Astronáutica | Biografias | Download | Telescópio Hubble
  Ofertas Shopping UOL Binóculo no Shopping UOL Oculares no Shopping UOL Lunetas no Shopping UOL Telescópios no Shopping UOL  
 

 

ASTERÓIDES

O ANÚNCIO DO "FIM DO MUNDO"

Representação do impacto que a Terra sofreria ao se chocar com Hermes.

O fim do mundo foi anunciado em 1937, quando o astrônomo alemão Karl Reinmuth, um dos maiores descobridores de asteróides, encontrou em duas placas fotográficas, expostas simultaneamente durante duas horas, na noite de 28 de outubro de 1937, um rastro de 27 mm, causado pelo movimento do asteróide. Tratava-se, sem dúvida, de um asteróide extraordinário. Para descrever esta trajetória é necessário supor que o objeto deveria se encontrar muito próximo da Terra.

Nos dias subsequentes, Reinmuth procurou, sem sucesso, recuperá-lo em suas fotografias. Felizmente os astrônomos alemães Richter e Morgenroth, em suas fotografias obtidas em 26, 27, 28 e 29 de outubro, no Observatório de Sonnenberg, com o auxílio de uma pequena câmera astrográfica de 25 cm de distância focal, tinham conseguido recuperá-lo. Em 25 de outubro, o astrônomo norte-americano Cunningham, com um telescópio de 20 cm de abertura, na Estação de Harvard, em Oak Ridge, fotografou o novo asteróide. Mais tarde, foi reconhecido em placas fotográficas obtidas no Observatório de Johannesburg, na África do Sul, pelo astrônomo inglês Jackson, em 27 de outubro, um dia antes de sua descoberta em Heidelberg.

Este minúsculo planeta, de algumas centenas de metros de diâmetro e um brilho aparente de magnitude 6,6, provocou um enorme alarme. Anunciou-se que o "Objeto Reinmuth", como foi designado inicialmente, deveria se chocar com a Terra em janeiro de 1938. De fato, em 28 de outubro este asteróide, que recebeu o nome de Hermes, dado pelo seu descobridor, encontrava-se a aproximadamente 730 mil km da Terra. A órbita que ele descrevia permitiu calcular que deveria chegar a distância de apenas 354 mil km da Terra, ou seja, mais próximo que a Lua.

Nunca se assitira a uma tal aproximação. Outros dois planetóides, Apolo e Adonis, descobertos pelo astrônomo belga Delporte, no Observatório Real da Bélgica, respectivamente em 1932 e 1936, tinham passado muito próximos à Terra. O que mais se aproximou foi Adonis, a uma distância duas vezes superior à calculada para Hermes.

O fim do mundo não veio, mas ficou essa importante conclusão expressa por Benjamin Costallat, no artigo "A lição do planeta", publicada no Jornal do Brasil em 11 de janeiro de 1938, quando o astrônomo sul-africano Wood, da Cidade do Cabo, anunciou que, por uma diferença de 5 horas, a Terra havia chegado, felizmente, atrasada ao encontro com Hermes:

"As nossas maiores ambiçôes e as nossas maiores vaidades não passam de um grão de areia; e de um grão de areia não passam todas as ciivilizaçôes e todas as idades, toda a cultura e todo o poder dos povos e dos exércitos diante do infinito dos mundos e da amplidão do espaço.
O episódio do pequeno planeta, o planeta boêmio e vagabundo, sem nome e sem importância - mas que sozinho seria capaz de esmagar todo um continente, dar cambalhotas em cidades inteiras, secar oceanos e esmagar montanhas - , veio mostrar nossa mesquinhez e trazer-nos uma lição de humildade:
Nada valemos".

Órbita calculada do asteróide Hermes, re-descoberto em 2003.Em 2003, este asteróide foi "re-descoberto", e astrônomos chegaram a conclusão de que se trata de um asteróide binário, isto é, dois asteróides com aproximadamente 400 metros de extensão que orbitam um ao redor do outro a uma distância de cerca de 1.200 metros. Ao lado, pode-se ver uma imagem, de autoria do JPL/NASA, mostrando a órbita calculada para este asteróide.

Hermes se aproxima da Terra a cada 777 dias, quando chega à magnitude aproximada 8.

Podemos calcular sua força destrutiva neste link, onde obtivemos os seguintes dados:

  • Energia liberada: 321 GTons (ou, 21.400.000 vezes a energia liberada pela bomba atômica que devastou Hiroshima);
  • Intervalo entre impactos: um impacto dessa magnitude ocorre na Terra a cada 1,9 milhões de anos;
  • Cratera: o impacto abriria uma cratera com cerca de 23,3 km de diâmetro, por 764 metros de profundidade. A quantidade de rocha vaporizada e fragmentos lançados na atmosfera chegaria a 8,46 km³. Aproximadamente metade da rocha derretida ficaria na cratera, formando uma crosta de cerca de 43 metros de espessura;
  • Explosão: a bola de fogo da explosão poderia ser vista a uma distância de 23 km, e seria 48 vezes maior que o Sol. O fluxo de radiação resultante seria 214 vezes maior que o fluxo de radiação solar na área do impacto. O material ejetado cairia de volta à Terra cerca de três minutos após o impacto, formando uma camada de cerca de 46cm de espessura, com um tamanho médio de fragmentos de 14 cm;
  • Efeitos sísmicos: o grande abalo sísmico chegaria aproximadamente 20 segundos após o impacto, com a magnitude de 8,3. A uma distância de 100 km, os danos seriam minimos para construções reforçadas, e catastróficos para construções modestas. Se o impacto se desse na água, nas regiões costeiras, criaria tsunamis que varreriam todo o globo. Estas poderiam chegar a mais de 60 metros de altura, viajando pelo oceano a mais de 1.500 km/h;
  • Onda de choque: o impacto de um objeto desse tamanho criaria ondas de choque que viajariam a mais de 1.366 km/h, com uma pressão sonora de cerca de 110 dB e mais de 3 bar de pressão. Construções de madeira entrariam em colapso. Construções em alvenaria e aço seriam retorcidas a ponto de entrarem em colapso. Cabos de sustentação de pontes seriam partidos. Janelas de vidro estilhaçariam. Carros e caminhões seriam tombados, tamanha a pressão. Até 90% das árvores do local do impacto seriam derrubadas. As que resistissem teriam suas folhas e ramos arrancados.
 

Ir para:

Voltar para "O Sistema Solar"
Bookmark and Share
2009 - Ano Internacional da Astronomia
 

Principal

Outros conteúdos

Sobre nós...

Assine nosso Feed RSS
© 2017 Astronomia Amadora.net - Todos os direitos reservados