www.astronomiaamadora.net
Home | História | O Sistema Solar | O Universo | Astronáutica | Biografias | Download | Telescópio Hubble
  Ofertas Shopping UOL Binóculo no Shopping UOL Oculares no Shopping UOL Lunetas no Shopping UOL Telescópios no Shopping UOL  
 

 

ASTERÓIDES

ASTERÓIDES RASANTES À TERRA - UMA AMEAÇA PERMANENTE

Asteróides rasantes: uma ameaça real

Em todas as mitologias encontramos histórias de estrelas que caíram do céu, embora tal fato não fosse visto como perigo iminente até recentemente, quando se iniciaram os estudos sobre os asteróides rasantes. Os últimos novos alertas sobre as ameaças do céu estão fazendo com que o homem estude com mais atenção a autenticidade de algumas lendas.

Uma delas, de origem chinesa, conta que um tsunami gigante inundou a China durante o terceiro milênio antes de Cristo, logo após a queda de uma "estrela". Talvez a consequência do impacto de um meteoro no oceano. Outra lenda é a do Faeton, que queimou vários países do Mediterrâneo, cerca de 1.200 anos antes de Cristo.

Um asteróide em colisão com a Terra parece ter sido o responsável pela extinção dos dinossauros, no fim do Período Cretáceo; um outro notável impacto, em 1908, destruiu centenas de quilômetros quadrados da floresta próxima a Tunguska, Sibéria; um fenômeno idêntico ocorreu em Curuçá, no Amazonas, em 13 de agosto de 1930.

As ameaças existem. Elas vêem do céu como uma advertência de Hermes, o mensageiro do Olimpo, como muito bem designaram os astrônomos, o primeiro e mais famoso asteróide rasante dos tempos modernos.

O número de asteróides rasantes à Terra, até hoje detectados pelos astrônomos, é da ordem de cinco dezenas. Este número vem crescendo numa média de 5 por ano. O mais conhecido desses asteóides é Hermes (1937UB), descoberto em 28 de outubro de 1937 pelo astrônomo alemão Karl Reinmuth, em Heidelberg, em duas placas fotográficas expostas simultaneamente, durante duas horas. O asteróides deixou sobre a emulsão fotográfica um traço de 27 milímetros de extensão. O movimento diurno correspondia a oito graus de ascensão reta e dois graus de declinação. Tão rápido era seu deslocamento que Reinmuth não pôde redescobri-lo nas noites seguintes. Felizmente, houve condiçôes favoráveis para recuperar sua imagem através de fotografias realizadas em três outros observatórios: Sonnenberg, Oak Ridge e Johannesburg.

Asteróide Hermes, redescoberto em 2003, após 66 anos "perdido"Uma vez reunidas as 14 observaçôes disponíveis, no período de 25 a 29 de outubro, foi possível determinar sua órbita e concluir que Hermes havia passado bem próximo à Terra em 30 de outubro de 1937, a menos de 735.000 km do nosso planeta, quando seu brilho atingiu a magnitude 8, e seu movimento, cinco graus em uma hora.

Na altura da sua redescoberta após 66 anos "perdido", a 15 de Outubro de 2003, Hermes encontrava-se a 30.000.000 km da Terra. A sua próxima maior aproximação ocorreu a 4 de Novembro de 2003, quando passou a 4.000.000 km de nós, e nessa altura deverá foi suficientemente brilhante para ser observável por astrónomos amadores com pequenos telescópios.

Por uma diferença de 6h30min, a Terra teria se encontrado com o asteróide 4581 Asclepius (1989FC) de 800 metros de diâmetro, no dia 22 de março de 1989. Na realidade, ele passou às 23 horas (hora de Brasília) a uma distância de 690 mil km da Terra, com velocidade de 20,5 km/s.

O registro do asteróide Asclepius (1989FC), quatro dias após a sua grande aproximação da Terra, colocou na ordem do dia uma das preocupaçôes dos astrônomos que se dedicam à pesquisa sistemática desses astros. Ao contrário do que ocorre quase sempre nos filmes de ficção-científica, as ameaças pelas quais já passou o nosso planeta até hoje não foram previstas pelos astrônomos. O fato é que, na realidade, sucedeu justamente o oposto. Só tivemos conhecimento do perigo pelo qual havíamos passado uma semana depois, quando o astrônomo norte-americano Henry Holt, no início de abril, decidiu analisar as fotografias obtidas em 27 de março de 1989, com a câmera Schmidt de 46 cm de Monte Palomar, na Califórnia, e notou a existência de um enorme traço provocado por um asteróide que havia passado a uma distância relativamente próxima. Um estudo da órbita desse objeto mostrou que ele havia passado, em 23 de março, à distância de 800 mil km da superfície terrestre. O seu diâmetro foi estimado em 1 km e sua velocidade, em 75 mil km/h.

Cratera do Meteoro, Arizona, EUASe a Terra tivesse sido golpeada, teria se formado, na região do impacto, uma cratera de, no mínimo, 5 km de diâmetro. Simultaneamente, nas regiôes vizinhas, ocorreriam terremotos de grande intensidade. No caso em que o asteróide viesse a se chocar contra a massa líquida dos oceanos, o impacto provocaria maremotos tão intensos que poderiam devastar as regiôes costeiras, destruindo as cidades litorâneas.

Até a descoberta do asteróide Asclepius (1989FC), o segundo a passar mais próximo à Terra era o 14Athor (1976UA), descoberto pelo astrônomo norte-americano W. Sebok, em 25 de outubro de 1976, com o telescópio Schmidt de 122cm de Monte Palomar. Cinco dias antes de sua descoberta, esse asteróide passou a 1.170.000 km da Terra. Com um diâmetro entre 200 e 300 metros, pode um dia vir a se chocar com a Terra.

A procura sistemática de asteróides e cometas que cruzam a órbita da Terra é um dos grandes interesses nos últimos anos, em especial depois que o cometa Shoemaker-Levy 9 chocou-se com Júpiter, em 30 de julho de 1664, e o Hyakutake, cometa descoberto em janeiro daquele ano, passou muito próximo à Terra. Para confirmar que o que ocorreu em Júpiter já aconteceu na Terra, foi descoberto, recentemente, que os oito acidentes geológicos circulares, que se alinham por 700 km do sudeste de Illinois oa leste do Kansas, nos EUA, assinalam os pontos de impacto dos fragmentos de um objeto celeste que se chocou com a Terra há 320 milhôes de anos.

Cadeia de crateras em Calisto, uma lua de JúpiterAs oito crateras, com cerca de 3 a 17 km de diâmetro, além de terem a mesma idade, estão de tal modo alinhadas que há apenas uma chance em um milhão para explicar que a sua origem tenha sido acidental. Os geofísicos norte-americanos Michael Ranipino e Tyier Voik, da Universidade de Nova York, durante o encontro da American Geophysical Union, em dezembro de 1665, afirmaram que esse alinhamento de cratera foi provocado pelo impacto de um cometa com os núcleos em forma de colar, como o Shoemaker-Levy 9, que se chocou com Júpiter. Exemplos idênticos de cadeias de crateras já forma detectados em Calisto e Ganimedes, satélites de Júpiter, e na Lua.

Para dar mais clareza a esta ameaça, em 19 de maio de 1666 o asteróide recém-descoberto 1666JAI passou a 450 mil km da Terra, a sexta maior proximidade já registrada em toda a história da astronomia.

Apesar de esses impactos constituírem uma preocupação dos astrônomos dedicados ao estudo dos asteróides, particulamente de uma espécie muito especial - a dos asteróides rasantes à Terra (Earth grazers) -, pouco se tem feito para prevenir uma tal tragédia, através de recursos mundiais destinados às pesquisas dos asteróides, em comparação aos outros setores da pesquisa astronômica.

 

Ir para:

Voltar para "O Sistema Solar"
Bookmark and Share
2009 - Ano Internacional da Astronomia
 

Principal

Outros conteúdos

Sobre nós...

Assine nosso Feed RSS
© 2017 Astronomia Amadora.net - Todos os direitos reservados